O Arquivo disponibiliza sim documentos da ocupação alemã nazista (1938-1945)

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Adolf Hitler em sua visita ao Castelo de Praga após a criação do Protetorado da Boêmia e da Morávia (em alemão: Protektorat Böhmen und Mähren).

A acusação de que o ÚSTR, Instituto de Pesquisas sobre Regimes Totalitários – e indiretamente também o ABS (Arquivo dos Serviços de Segurança, órgão vinculado ao Instituto) –, apesar de possuir em seu nome o termo totalitário no plural, pesquisa somente o período do totalitarismo comunista, é simplesmente injustificada. É verdade que  ele dedica mais atenção à época do comunismo, mas isso resulta, entre outras coisas, do fato de que, enquanto a ocupação alemã durou 6 anos, os governos comunistas na Tchecoslováquia duraram muito mais tempo (1948-1989), quase meio século. Outra circunstância importante é que os tempos de comunismo estão presentes de uma maneira mais recente na memória das pessoas; ainda vivem muitas pessoas que sentiram aqueles tempos na própria pele. Ou seja, como se trata de uma ferida mais recente causada às nações da Tchecoslováquia, a sua descrição é mais ampla.

Porém, isso não significa que no trabalho destas instituições o período da ocupação alemã (nazismo) seja negligenciado. Tal afirmação, além de ser uma simplificação, é também falsa.

Para confirmar, basta verificar os dados disponíveis nas páginas de internet destas instituições. Caso alguém queira pesquisar mais profundamente sobre o primeiro totalitarismo no território da Boêmia e Morávia, ou seja, sobre o período no qual a Tchecoslováquia desapareceu do mapa mundial e em seu lugar surgiu a grotesca invenção estatal do “Protetorado da Boêmia e Morávia”, que esteve sob a ocupação alemã, então terá uma tarefa fácil, pois justamente nas páginas do ABS e ÚSTR é possível encontrar muito material sobre esse tema.

Jaroslav Krejčí discursa em Tábor .

Talvez muitas pessoas não gostem que, através do buscador na página https://www.abscr.cz/jmenne-evidence/ seja possível encontrar nomes concretos que existem nos diferentes tipos de evidencias dos serviços de segurança comunistas. Tratam-se não somente de nomes de tchecos e eslovacos, mas praticamente de pessoas do mundo inteiro, pois a StB (Diretório I) operou fora das fronteiras da Tchecoslováquia. Aqui é necessário lembrar daquilo que já informamos por várias vezes: o simples fato de um nome figurar nesses registros, ainda não significa que dita pessoa tenha sido um colaborador secreto da polícia política comunista. A existência de um nome nessas fontes significa que a dita pessoa foi, por algum motivo, anotada pela StB, ou seja, foi um objeto de interesse. Com que objetivo e com qual resultado, já é uma questão de pesquisa e isso somente é possível estudando os devidos materiais sobre dada pessoa (ou objeto), materiais estes que não estão disponíveis na internet; eles estão à disposição de qualquer um, mas é preciso simplesmente pedir por eles e ir até o prédio do arquivo para, após cumprir com algumas formalidades, poder estuda-los.

Quanto ao período da ocupação alemã, o ABS não disponibilizou um buscador semelhante àquele que funciona para o período comunista. Isso é verdade. Mas, isso não significa que com a ajuda da internet não seja possível encontrar algumas pistas que podem nos direcionar e facilitar as pesquisas. É possível, por exemplo, estudar online a imensa lista de funcionários da Gestapo na Boêmia e Morávia. Esta lista contém dados de identificação parecidos com o buscador do ABS sobre a época do comunismo. Isso significa que na lista (o documento contém 369 páginas) podemos encontrar nomes concretos com a data de nascimento e a função executada no âmbito da Gestapo juntamente com o local de serviço. Esta lista possui 5861 posições.

A lista encontra-se aqui: https://www.ustrcr.cz/data/pdf/projekty/doba-nesvobody/gestapo-seznam.pdf

 

Em outro lugar da página do Instituto (https://www.ustrcr.cz/uvod/doba-nesvobody-1938-1945/nemecke-bezpecnostni-a-represivni-slozky/ ) podemos encontrar a descrição dos órgãos de repressão na época da ocupação alemã da Boêmia e Morávia, como também dados exatos sobre o fichário e outros materiais de arquivo que podem ser pesquisados a vontade.

Além disso, existe toda uma série de trabalhos históricos sobre este período, que também são apresentados nas páginas de internet do Instituto.

Nas páginas do instituto também existe uma subpágina especialmente dedicada a este período (1939-1945) https://www.ustrcr.cz/uvod/doba-nesvobody-1938-1945/ com a descrição de alguns acontecimentos e projetos de pesquisa que se ocupam justamente desta etapa da história.

Sendo assim, é possível afirmar certamente que qualquer um que deseje pesquisar o totalitarismo alemão e suas faces na Boêmia, durante o período 1939-1945, possui para isso condições favoráve

is criadas pelo ABS e ÚSTR; talvez não tão cômodas como no caso de pesquisas sobre o período totalitário comunista, mas, mesmo assim, favoráveis o suficiente. Não há dúvidas (podemos afirmar por experiência própria) de que os funcionários destas instituições oferecem ajuda a qualquer pesquisador e se esforçam o melhor possível para colaborar com os pesquisadores, independente do período ou assunto abrangido de interesse.

A conclusão é bem clara: as instituições tchecas criadas com base na lei para pesquisa dos períodos totalitários cumprem essa tarefa não omitindo nenhum deles. É possível discutir se o primeiro totalitarismo é pesquisado o suficiente, mas isso é um nível de debate completamente diferente do que afirmar que simplesmente não é pesquisado.

Em todo o caso, no que se refere às atividades dessas instituições quanto ao período da ocupação alemã, podemos encontrar vários eventos, publicações, serviços do arquivo, exposições, etc., dedicados justamente a esta questão. Isso pode ser facilmente verificado. O único obstáculo, talvez, é que a grande maioria destes materiais esteja escrito em idioma tcheco.

 

Vladimír Petrilák

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