Panamá
No Panamá, os serviços de inteligência da Tchecoslováquia não possuíam uma representação própria. No entanto, isso não significa que não se interessassem por essa região de tanta importância estratégica. O Panamá, assim como outros países da América Central, já estava na mira dos serviços de inteligência da Direção I do SNB (StB) desde a década de 1960. O interesse operacional dos serviços de inteligência tchecoslovacos ficou refletido nos subdossiers “Panamá” (n.º 104) dentro do dossiê temático com o n.º de registro 10020: América Central e a região do Caribe. Toda essa área era “cuidada” pela residência no México, mas, ocasionalmente, também pela da Colômbia.
Os panamenhos aparecem na documentação da StB. Não é fácil localizá-los, pois é preciso examinar arquivos que não estão diretamente relacionados ao Panamá. É possível encontrar um número relativamente elevado de panamenhos no âmbito da Operação «Manuel». Nesse caso, trata-se de uma relação indireta com a StB. É possível encontrar outros, por exemplo, no arquivo dedicado à Organização dos Estados Americanos ou na documentação sobre as atividades de inteligência na sede da ONU em Nova York. É certo que pelo menos um panamenho foi registrado como agente da II Direção (contra-espionagem).
A KGB soviética mantinha uma residência no Panamá. No entanto, não está claro em que período nem quem trabalhava lá. O renomado agente de inteligência soviético e especialista em América Latina, N. S. Leonov, reconheceu em suas memórias suas boas relações com o ditador panamenho Torrijos. Ele se reuniu pessoalmente com Torrijos.
Esse país despertou o interesse dos cubanos já em 1959, ou seja, logo após o golpe de Estado bem-sucedido em Havana. Segundo escrevem Christoph Andrew e Vasili Mitrokhin no livro intitulado O Arquivo de Mitrokhin (volume II), já em abril de 1959 Cuba enviou ao Panamá oitenta indivíduos desesperados que, após desembarcarem, deveriam “libertar” o Panamá. Esse grupo logo se rendeu à Guarda Nacional panamenha.
No entanto, Cuba continuou a interferir nos assuntos panamenhos enviando para lá, via Praga, bandidos treinados por ela mesma; trata-se da Operação Manuel, à qual voltarei mais adiante.
Nikolái Serguéievich Leonov
Nascido em 22 de agosto de 1928. Tenente-general (1991). Nasceu na vila de Almazovo, na província de Riazán, no seio de uma família de camponeses. Entre 1931 e 1934, foi criado pela tia em Moscou. Entre 1934 e 1938, voltou a morar em sua cidade natal, onde concluiu o ensino fundamental. A partir de 1938,
morou e estudou na cidade de Elektrostal, na região de Moscou. Em 1947, concluiu o ensino médio. Em 1947, concluiu o ensino médio com uma medalha de ouro e foi admitido no MGIMO.
Em 1952, foi designado para a editora «Literatura Zagranica», onde trabalhou como tradutor de espanhol.
Em abril de 1953, N. S. Leonov foi enviado ao México com o objetivo de aprofundar seus conhecimentos de espanhol. A caminho do México, conheceu um grupo de cubanos, entre os quais se encontrava Raúl Castro. No México, N. S. Leonov começou a estudar na faculdade de filologia da universidade da capital. Durante sua estadia naquele país, conheceu Ernesto Che Guevara e manteve contato com os revolucionários cubanos. Em 1956, foi expulso do México.
Entre 1956 e 1958, N. S. Leonov voltou a trabalhar na editora «Literatura Zagranica», ao mesmo tempo em que cursava estudos de pós-graduação à distância
no Instituto de História da Academia de Ciências da URSS, na especialidade de «História dos países da América Latina». Em 1958, foi recomendado para o serviço de inteligência externa e ingressou na escola nº 101 da KGB, subordinada ao Conselho de Ministros da URSS.
Em outubro de 1959, enquanto estudava na escola, N. S. Leonov foi enviado a pedido de A. I. Mikoyan ao México para a inauguração de uma exposição soviética. Em 1960, juntamente com A. I. Mikoyan, esteve em Cuba, onde retomou os contatos com os revolucionários cubanos que haviam chegado ao poder. Entre 1960 e 1961, trabalhou no aparato central do PGU da KGB. De 1961 a 1968, esteve em uma missão de longa duração no México, sob o disfarce do cargo de terceiro secretário da embaixada.
No final de 1968, N. S. Leonov foi nomeado subchefe do Departamento da América Latina na sede central da PGU. Realizou inúmeras missões de curta duração no Peru, Panamá, Nicarágua, Afeganistão e outros países, cumprindo importantes tarefas da direção da PGU da KGB.
Desde 1971, foi subchefe e, a partir de 1973, chefe da Direção de Informação e Análise da PGU do KGB. Entre 1983 e 1991, ocupou o cargo de subchefe de inteligência externa. Em 1991, foi chefe do Departamento de Análise do KGB da URSS.
Em setembro de 1991, aposentou-se.
Doutor em História. Condecorado com a Ordem da Revolução de Outubro, duas Ordens da Bandeira Vermelha do Trabalho, a Ordem da Estrela Vermelha, inúmeras medalhas, as insígnias «Trabalhador de Honra da Segurança do Estado» e «Pelo Serviço na Inteligência». Autor do livro «Licholecie» (Moscou, 1994) e de quatro monografias, traduzidas para outras línguas.
A descrição de Leonov foi retirada do livro:
Внешняя разведка СССР – России. 1946–2020 годы. История, структура и кадры
Издательство: Алисторус
Год: 2021 г
ISBN: 978-5-00180-097-2
Страниц: 1080
Язык: Русский


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